09.13.09

do personare (I)

Enviado em Uncategorized às 8:54 pm por Taiguara

Ainda que ateu, confesso sem nenhum pudor: gosto de Astrologia. Com frequência pensar o outro inclui pensar o signo do outro.  Por falta de explicações razoáveis eu não sou um crente desse universo, mas gosto do assunto: é divertido, preenche tempo, dá a uma confortável e falsa idéia de conhecimento, vc se desresponsabiliza por algumas coisas e culpa o andar dos planetas, chora a dificuldade de mudar – ou a exalta – pq vc é a cara do seu signo, etc. É um pavão mais enfeitado do que crenças monoteístas, mas é como acreditar em deus, claro. Nada mais irônico do que um religioso acusar a Astrologia de n ter sentido…

Zodíaco

Leio sobre o assunto há mt tempo e as verdades com as quais me deparei várias vezes e há mais tempo são as de que astrologia serve para apontar tendências, não é ditadura do destino e que horóscopo, para qualquer estudioso sério, é puro entretenimento. Acreditar em Astrologia, vá lá, mas horóscopo é sacanagem!

Até que uma amiga te indica o Personare, vc faz a assinatura e começa a ficar realmente bolado com a quantidade de informações corretas chegando no seu e-mail. Sério, eu estou mt espantado com esses e-mails!. Comecei a evitar ler antes das datas sobre as quais eles falam – tentando evitar ser influênciado – e ainda assim parece que tudo foi realmente escrito pra mim.

Os dois últimos foram “Cuidado com as paixões sem controle” e “Momento de recolhimento afetivo”. Um dos trechos:

(…) o planeta Vênus estará fechando um ciclo, ao passar pela décima-segunda casa do seu mapa de nascimento, Taiguara. Esta é uma fase de introspecção afetiva, de reflexão de como têm sido os seus relacionamentos. O período envolve a idéia de acalmar a sede de amor, dando um tempo em relação às buscas externas, voltando-se mais para dentro da própria alma. (…) basta observar – e respeitar – que todas as pessoas precisam de um espaço próprio por algum tempo, e que mesmo a melhor das relações necessita de um tempo.
Para quem está solteiro, o momento envolve a consciência de que ao invés de buscar o amor fora de si, é chegada a hora de verter este amor para a própria alma: cuidar de si, dar mais atenção às próprias questões, fazer alguma forma de terapia. Em suma, cuidar das próprias feridas, pois sempre existe uma!

Acreditando ou não, tá ae um conselho que cai como luva pra esse momento.

08.15.09

Antonio Gramsci

Enviado em Uncategorized às 8:38 pm por Taiguara

Odeio os indiferentes. Como Frederico Hebbel, acredito que ‘viver é tomar partido’. Não podem existir apenas homens, os estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e partidário. Indiferença é abulia, é parasitismo, é covardia, não é vida. Por isso, odeio os indiferentes. A indiferença e o peso morto da História. É a bola de chumbo para o inovador, é a matéria inerte na qual freqüentemente se afogam os entusiasmos mais esplendorosos.

A indiferença atua poderosamente na História. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade, é aquilo com o que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mais bem construídos. É a matéria bruta que se rebela contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se deve tanto à iniciativa dos poucos que atuam, quanto a indiferença de muitos.

O que acontece não acontece tanto porque alguns o queiram, mas porque a massa de homens abdica de sua vontade, deixa de fazer, deixa enrolarem os nós que, depois, só a espada poderá cortar; deixa promulgar leis que, depois, só a revolta fará anular; deixa subir ao poder homens que, depois, só um sublevação poderá derrubar.

Os fatos amadureceram na sombra porque mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões restritas, os objetivos imediatos, as ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens ignora, porque não se preocupa. Por isso, odeio os indiferentes.

07.19.09

Gente-personagem e chatice cotidiana

Enviado em Uncategorized às 5:57 pm por Taiguara

hannabarbera
baseado em fatos reais.

Umas das coisas que mais me aborrecem nas minhas relações sociais é lidar com pessoas-personagens. Sabe, quando as pessoas criam uma identidade, delimitam seus espaços de criação e fazem o máximo para serem vistos de uma certa forma? Não se trata de gosto, traços identitários, tendências, querer ser visto como mais isso ou mais aquilo. Isso é comum, todo mundo faz. Um personagem é uma criação mais complexa. A ocupação primeira dessas pessoas é serem estilistas de si mesmas, retocadoras de suas próprias projeções. Um personagem traz características que devem estar sempre ali e isso é chato pra cacete! Em algum ponto a pessoa acaba virando uma caricatura.

Eles me irritam. Não todos, não com a mesma intensidade, nem sempre. Não chega a ser um problema por princípios: conheço criações diferentes. Gosto de algumas, tolero outras por pouco tempo; com alguns, gargalho litros, outros só chateiam. Varia, embora em algum momento todos me saturem.

Não gosto do quadrado! Não gosto da força que alguns personagens-gente fazem para serem sempre lidos “a partir de”, serem sempre referências no tocante àquele gosto, àquele estilo, etc. Não gosto qnd eles são chatos – o que acontece com frequência. Personagens mt definidos tendem a cansar. Podem divertir por 8 meses numa novela, por algumas temporadas em um seriado, mas acabam cansando. Na vida real e cotidiana cansam mt, mt mais. Quanto mais evidenciada é a sua construção, mas me encho.

Por outro lado, há um segundo grupo de persona-fakes que me incomoda mt mais: os mal construídos. A mentira perceptível torna a pessoa patética. Para quem lê o outro, poucas coisas são mais chatas do que a verdade mal escondida. Uma existência inteiramente fake? Céus, que coisa insuportável!

Ano passado conheci uma garota que projetava, em linhas gerais, a seguinte imagem: ” extrovertida, feliz, beberrona, sexualmente liberal e ativa. Faz o que bem entende, expõe suas opiniões polêmicas sem medo de discordâncias, não se importa com opiniões alheias pq tem segurança no que faz e pensa. É maluca e suuuper gente fina. Sempre um sorriso!”

AnjosVirtuais_040107_Shrek_Burro

Dava pena, dava nos nervos e dava desprezo.

Parecia-me que ela estabelecia metas ao levantar e nelas tentava viver durante todo o dia: como agir, o que ser, o que escrever, quem copiar, etc. O problema é que ela só obtém sucesso em parecer inconveniente, sem originalidade e burra. As mudanças nos discursos, por exemplo, são sempre guiadas para concordar, suavizar o que pudesse ter sido dito com mt enfâse. A garota que “não liga para o que os outros pensam” e a garota que ameniza suas próprias opiniões, se contradizendo e enchendo o saco alheio.

*

E para combater ao menos o segundo grupo, lanço aqui a campanha SEJA UM FAKE REAL!.

Segue um pequeno guia que pretendo distribuir em escolas e faculdades. Tentei ser bem didático, para melhor compreensão dos juvenas e leites-com-pêra. Por experiência própria, sei que é nessa fase que começamos a fakecização de nós mesmos.

*

Guia para um Fake Real - (ou: Como ser menos chato havendo escolhido ser chato.)

1. Crie identificação com algo.

Ex: gênero sexual, obra cultural, cutura diferente, uma personagem.

1.1 – Apreenda as características do item escolhido. Exacerbe-as.

2. Defina características para o personagem-você. Escolha itens com os quais se sentirá confortável, pois essa será sua vida.

Ex: Se for mulher, nada de escolher “sexualmente liberal e sem grilos” se não consegue pegar num peitinho. Se for homem, nada de escolher “macho-fudedor-ativasso-loucão” se não come de tudo. O objetivo é convencer, ainda que seu personagem faça a linha “me fodo para o que pensam os outros.”

2.2. – Para o item anterior, uma dica: escolha um personagem que permita mudanças. E dae que suas opiniões são gravadas em pedra e sua avó te chamaria de conservador? Projete uma imagem de “sempre aberto ao novo” e as pessoas só iram questionar se vc realmente não mudar.

dik:Personagens conservadores fazem mais sucesso qnd acrescidos de humor.

3. Creia no que inventou. A sinceridade é essencial para um Fake Real.

4.A partir de agora vc deverá utilizar O TEMPO TODO algo que remeta os outros ao seu faz-de-conta. Pode ser um um estilo de roupa, um trejeito, uma cor, expressões, gírias… invente! Crie com talento e se exponha até se tornar uma referência, um paradgma.

5. Evite contradições. Não mostre nada que evidencie sua mentira ao ir contra as características da sua personagem.

dik: O Item 2.2 ajuda a evitar choques e recepções negativas.

6. Esteja sempre atento à novas formas de cristalizar sua identidade. Incremente o visual, as gírias, seus pensamentos.

Ex: Se vc fizer a bicha cool – mt em voga -, esteja sempre atento ao que é tendência. Afie diariamente seu vocabulário de trava. Aprenda tudo antes de criarem comunidades no Orkut – ou pelo menos antes que os heteros comecem a entrar nela. (E nunca, JAMAIS!, aprenda alguma gíria de bee com as colegas rachas! Não faça a uó!)

7. Seja o precursor!, a referência!, o detentor de maiores informações! Essa parte é trabalhosa, principalmente para os que escolhem personagens identificados com culturas, extraídos de obras extensas ou ainda em produção, detentores de cabedal intelectual, etc. O melhor é que vc de fato conheça o universo no qual decidiu viver. As pessoas farão perguntas a respeito. Se vc não conseguir isso, siga os itens abaixo:

7.1 – Se alguém perguntar algo que vc não saiba, diga que esqueceu, mas que daqui a pouco se lembra. Peça pra perguntarem depois, chegue em casa e gugue o assunto.

7.2 – Se vc não está confiável, não entre em uma disputa de conhecimentos ou discussões que possam evidenciar sua mentira.

7.3 – Ninguém te apresenta ou ensina nada inteiramente novo. Você no máximo esqueceu daquele autor, daquela banda, mas já ouviu falar de tudo que as pessoas indicam pq “acham a sua cara”.

7.4 – Outra forma de agir: não conhece o que estão te apresentando? Olhe de soslaio. Faça uma cara de desaprovação, teça um ou dois comentários a respeito e descarte com desprezo. Se vc não conhece, não deve ter aparecido nos 20 primeiros resultados do Google, e se não apareceu lá, não deve ser mt bom. É sempre melhor pensarem que vc não tem interesse e desaprova do que pensarem que vc não conhecia itens do universo que adora dizer que vive.

7.5 – Se o assunto estiver relacionado ao seu mundinho, evite fazer concessões, admitir erros, whatever. Treine a mente para nunca dizer nada mt definitivo – a menos que esteja inteiramente certo -, e após uma discussão perdida, faça sempre parecer que vc estava defendendo o ponto vitorioso.

7.6 – Antecipe-se: aproveite todos os momentos para mostrar o quanto vc sabe sobre o que escolheu saber. Aprenda a levar QUALQUER conversa para territórios nos quais se sinta seguro e possa dominar a conversa.

8. Mito das origens. Eventualmente irão perguntar desde qnd vc age assim, pq gosta disso ou daquilo. Escolha:

8.1 – Ao ser qeustionado, adote expressões facias de quem faz força pra se lembrar: deixe as pessoas pensarem que vc é assim desde a mais tenra idade.

8.2 – Caso o seu passado possa vir à tona, tome cuidado. Apenas faça as origens se perderem no tempo e não se estenda mt no assunto. Faça parecer que cada um dos traços que vc pensou detalhadamente foram adquiridos naturalmente.

8.3 -Aqui e no Item 6, abuse de sorrisos enigmáticos: finja ter preciosas informações que os outros não tem.

8.4 – Enfeite o pavão. Sempre tomando cuidado para não ser descoberto, pinte o passado à seu gosto. Pessoas fazem isso o tempo todo, right?

9. Evite contradições e evite expor-se em momentos que evidenciem que vc não é bem o que diz ser.
(Novamente, se tiver observado o Item 2.2, as coisas são mais fáceis e aceitáveis.)

10. Viva integralmente o seu personagem. Transforme-o na sua verdade máxima: vc é isso que quer mostrar e é isso em todos os momentos. Acredite e não seja um outro nem em momentos íntimos.

Quando você alcançar um nível respeitável e virar Bruno, a Divertida Bicha Louca; Joana, a Pansexual Metaleira; Fábio, o Intelectual Gente Boa, ou qualquer outra coisa que puder ter escolhido, seus “desvios comportamentais” serão sempre lidos de forma a realçar a personagem assumida. Será a hora de acostumar-se com “- ah, mas esse não é vc!”, “- ah, n foi assim que te conheci!”. Parabéns, vc conseguiu!

iso

Para os que dão mais valor à campanhas do Green Peace, twittar #forasarney ou adotar crianças pobres, peço que atentem para a importância dessa iniciativa. Pensem no bem-estar nas faculdades, nas redes de relacionamento, no trabalho, etc. Mudaremos o mundo qnd mudarmos os chatos.

E pra Saturno, preferencialmente.

07.18.09

Sensações de sexta a noite

Enviado em Uncategorized às 4:30 am por Taiguara

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prometeu_acorrentado

Melhor é desligar essa música que põe a gente melancólico e dormir.

06.22.09

Shane Mercado, te dedico

Enviado em Uncategorized às 1:47 pm por Taiguara

Pasmei com o vídeo desse cara dançando Single Ladies da Beyonce.

Brincou!

06.12.09

Há que se pôr fim.

Enviado em Uncategorized às 4:21 am por Taiguara

casper movie

Das grandes lições da sessão da tarde, uma é especialmente valiosa: “não deixe assuntos inacabados”, do Gasparzinho.Não que eu acredite que alguém possa virar um fantasma camarada, pertubado ou mesmo um que tente se comunicar com a Whoopi Goldman. É exatamente o contrário: é na vida que esses assuntos se mostram realmente problemáticos. Dps daqui é lama, adubo, lágrimas que diminuem com o tempo.

Um sujeito pode estar lá tranquilão, tomando seu café, e algo banal como uma fofinha na outra mesa pode ser suficiente para joga-lo numa torrente de lembranças sobre a namorada que vivia tentando emagrecer e que de quem ele tomou um fora; a garota chora litros após a notícia da queda do AF477 pq a tragédia trouxe à lembrança os planos de viagem que traçou com o namorado que acabou ficando com uma amiga sua. Eles pretendiam viajar pela América do Sul, mas ora, iam ter que pegar um avião e poderiam ter sofrido algum tipo de acidente! Dá quase no mesmo!

É, histórias em aberto podem vir à tona pelos mais variados gatilhos. Alguém pode usar uma palavra peculiar, espirrar de um modo diferente, usar um determinado perfume, gostar de dias de chuva… absolutamente qualquer coisa, mesmo as mais ordinárias, podem nos dar aquele estalo-lembrança de alguém que conhecemos ou com quem convivemos.

Sabe esse lance de tags em blogs? A gente conhece pessoas, cria tags para elas e lança nas coisas das nossas existências. Botafogo me lembra Gabriel, poesia me lembra Bárbara, Heart só me lembra Wesley, etc.

Isso é normal, claro. Relacionamentos imprimem marcas, nos afetam. Compartilhar sua vida com alguém é colorir sua existência com cores de outrem. Cores sutis podem passar quase despercebidas; podem se misturar com as suas e gerar algo novo sem que vc nem ao menos se lembre do ponto antes da mistura. As cores fortes são mais poderosas. Elas singularizam o indivíduo e vc já olha pra paleta-humana esperando vê-las. Quando se afastam estão todos um pouco mais coloridos. Ou ao menos conhecem mais tonalidades, reforçam as suas próprias.

Quando a gente ama uma pessoa e a traz para uma esfera cada vez maior da nossa vida, as tags se multiplicam. Para uma única pessoa, por exemplo, eu tenho umas trocentas e quinze tags. Coisas banais como o estado do Espírito Santo, quaisquer menção ao curso de Odontologia, qualquer anúncio de consultório médico, roupas brancas, Gtalk, etc.

Fácil perceber o problema dos assuntos inacabados, né? Lembrar-se de alguém é normal, mas lembrar sempre de algo que não foi dito, feito, vivido… ah, isso é veneno. Não fosse suficiente que vários aspectos da sua rotina te remetessem à lembrança de alguém, vc ainda sofre por tudo estar indefinido, latente. Passar um tempão sofrendo cada vez que que ouvir um sotaque capixaba ou sofrer duplamente quando for tirar um ciso não é vida.

Dramas não encerrados são um horror. Vc se distancia no tempo e no espaço, mas as idéias crescem na sua cabeça. E se eu tivesse feito? E se não tivesse confiado? E se eu tivesse sido mais esperto? Será que eu fui o idiota? E se, e se e se?

A coisa – seja lá o que for – já está longe, mas suas idéias a respeito crescem a ponto de te sufocar. Se eu decidir escrever um manual para a vida infeliz darei destaque para o capítulo “Como estagnar sua vida”. Ancorar-se em sofrimentos passados e alimentar a mente com possibilidades que não existem são sempre boas escolhas.

Quanto terminamos uma relação deveríamos ser levados à presença de um juiz que nos obrigasse a falar tudo que estamos sentindo, cara-a-cara. E já que é pra delirar, acho que esse juiz deveria ser sempre um deus da psicologia capaz de avaliar se a questão já pode ser encerrada, se toda a roupa já foi lavada, se precisaremos de outras sessões, etc. Talvez ele até nos receitasse um convívio forçado durante o qual seríamos obrigados a lidar com o outro, a pensar nas nossas escolhas, a nos pôr no lugar do outro. Quando esse juiz sobrenatural percebesse que a situação estava encerrada e que ninguém seguiria sua vida com a mente no passado, poria fim ao regime.

Também poderiam haver clínicas de desintoxicação e reabilitação, com slogans do tipo “Siga sem traumas”; “Viva cada decepção como se fosse a primeira”, etc. Mas algo parecido já foi tentato no Brilho Eterno e não deu mt certo. Não é mt pedagógico, tb.

No meu mundo ideal as pessoas dominariam a arte do desapego. Compreenderiam o que é passível de compreensão, mudariam o passível de mudança e saberiam deixar o resto fluir. (Acho que meu mundo ideal dá uma apresentação no Power Point! Solta o Louis Armstrong!!)

*

aquele último dia
último dia, indo pra praia.

Fiquei surpreso com o tom leve que esse texto assumiu. Qnd pensei em escrevê-lo – e foi há tempos -, achei que ele sairia pesado e triste. Essa leveza deve ser fruto de uma última e inesperada conversa. Entrar em contato com a pessoa dps de tanto tempo de lembranças e reflexões pode ser mt bom: detona metade dos e se. Não, vc não agiu mal. Nao, não aconteceram mudanças; não, não vale a pena.

E ainda que vc se engane, o resto é história. Com suas cores bonitas, intensas e a leitura que se quiser fazer delas.

04.06.09

O babado é certo!

Enviado em Uncategorized tagged , , às 5:15 am por Taiguara

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(dedicado a Tito Pal, que me apresentou Vanessão)

Hit utubiano desde 2006, o travesti Vanessão foi, ao que tudo indica, assassinada há mais de um ano. Morreu na contramão do sucesso que fez na internet: mal se sabe se está realmente morta ou se apenas desaparecida. A própria notícia começou a circular um ano dps da provável morte.

De sua vida, pouco é público. Cirulam boatos de que era viciada em crack; HIV positiva; que atacava caminhoneiros, etc. Não sei. Pode ser isso tudo, pode ser parte disso ou pode n ter sido nada disso. O que sei de Vanessão é o tanto que sabem os milhares que viram seu vídeo: temperamento explosivo, senso de humor, turrona, teimosa, travesti, discriminada.

A história que fez Vanessão virar hit é, antes de verdadeira ou falsa, comum.  “Cabra macho procura travesti pra fazê-lo mulher”. Na calada da noite ou embaixo do pé-di-árvore da BR, pode. Mas que fique ali, escondido. Difícil não acreditar em  Vanessão. Difícil n ter certa pena do cara, tb. Ambos são vítimas de uma moral imbecil, pobre, nociva.

prefiro Vanessão ao Mico

prefiro Vanessão ao mico.

Mas quem se importa?! Põe o vídeo do traveco de novo! A gente morre de ri, mostra pros amigos, ri da edição, do jeito fulêro da trava, do repórter besta. A gente pode rir. Violência, preconceito, o desejo que é vivido apenas de forma marginal, o descrédito após a satisfação desse desejo, a mentira contada,  o medo da descoberta, o riso, a humilhação… nada disso nos afeta: Vanessão e motoboy são apenas personagens.

Mas pra mim, Vanessão é tristeza. É exposição de uma moral hipócrita, de relações pobres e de gente infeliz.

Que vá em paz, pq o babado era certo.

E pra quem não conhece:

E um dos raros bons momentos do Jabor na Globo:

04.05.09

Casa nova!

Enviado em Uncategorized às 3:26 am por Taiguara

casa-da-árvore

É, dps de meses sem postar, com um projeto de blog para o curso e História da UFF – acho que ficará maneiro -, descubro o wordpress. Mt, mais mt melhor do que o blogspot. Deu até emoção. Me mudei pra cá, trazendo os posts de que gostava mais.

Juro solenemente continuar atualizando raramente.

Besos!

01.11.09

Levaram-me uns fragmentos

Enviado em Uncategorized tagged às 2:44 am por Taiguara

Fui assaltado ontem na Lapa. Levaram meu celular.

Difícil decidir o que é mais irônico: 1- eu sempre pensar em copiar certos números de telefone pra algum outro lugar já que, todo mundo sabe, celulares são furtados com frequência; 2 – eu ter pensado naquele mesmo dia sobre as mensagens que eu mantinha no celular e das quais gostava tanto; 3- eu ter pensado APENAS algumas horas antes: “vai começar a época de blocos, vou comprar um novo telefone mas vou manter esse aqui pros bandidinhos filhos-das-putas.
Hummm, acho que o mais engraçado, na verdade, é que eu entrei naquela rua já as seis da manhã pra fazer uma pegaçãozinha com alguém que nem valia meu velho celular.

.
E a pegação? Não valeu minha agenda telefônica e, mt menos, minhas sms.

.
Por outro lado, algumas memórias que eu teimava em revisitar foram levadas. Penso que se um bug no google acabasse com meu orkut e com o gmail, um incêndio na minha casa destruísse certas fotos e um raio atingisse minha cabeça eu estaria completamente livre delas!!

Mas por enquanto eu mantenho a bagagem e tento fazer algo de bom com ela.

12.24.08

Lajoie natalino

Enviado em Uncategorized tagged , , às 4:18 pm por Taiguara

Apesar disso aqui estar mais empoeirado que minha vida sexual aos 15 (ah, e aos 16, 17…), usarei o recurso “meta um vídeo e considere seu blog atualizado”, novamente.

Um vídeo natalino, com Jon Lajoie:

Um grande esforço pra não fazer um post pra cada vídeo desse cara! Ele n cansa de ser bom, pqp!

No mais, tenham uma boa noite natalina! Não se deprimam, não ouçam os comentários da tia chata, não comecem a restrospectiva! Comam o chester, o peru, as renas, os primos, os vizinhos, etc…! E se doem, tb! Natal é tempo de troca(-troca).

presente de natal
Hohoho

10.30.08

2 garotas, 1 copo, reações…

Enviado em Uncategorized tagged , , , às 3:34 pm por Taiguara

Não há um viciado em YouTube que já não tenha tomado conhecimento do vídeo 2 girls 1 cup, uma pérola do bom gosto em que duas mulheres se beijam, se pegam e, crème de la crème, cagam em uma taça, degustam o resultado, se beijam, vomitam uma na outra… tudo isso em aproximadamente um minuto de vídeo (que não será postado aqui, navegante do Google…)Fenômeno com o qual quase ninguém ainda se surpreende, o vídeo ficou muito mais popular graças ao YouTube. Não que o vídeo tenha sido acessado lá, Seu Tubo é mt família para aceitar esse tipo de coisa. O vídeo atingiu lares cristãos graças à moda iutubiana “2 girls 1 cup reactions”, que consiste, como o nome sugere, em filmar e postar reações que mães, pais, amigos, bebês e até mesmo cães tem quando assistem o filme pela primeira vez.

Ah, a inclusão digital nos põe em contato com tantos retardados! Após o advento da internet nenhum idiota precisa ficar sem público. O vídeo abaixo é um dos que eu achei levemente engraçado. Ouçam o que a avó diz pro neto:

Tem alguns outros que são engraçadinhos também, mas o melhor resultado – de longe e sem divisão de pódio – que 2 girls já causou foi a fantástica música do comediante canadense Jon Lajoie. Agradecimentos imensos ao meu amigo Bernardo que me apresentou ao Jon. Tem mais de uma semana que eu assisto a esse vídeo todo o dia e ainda me faz rir. O cara é foda! O próximo post é dele. Por hora, o vídeo e a letra de 2 girls 1 cup song:

2 girl 1 cup songHow do you show someone you love
That they are the one
So many ways to express love
It’s hard to choose just one
How you gonna do itRefrão 1
Some people like to kiss, some people like to hug,
Some lesbians like eating each other’s shit out of a cup
Some people say “i love you,” some even shout it out
Some people puke semi-digested shit into each other’s mouths

Sometimes making love’s not enough,
You have to step it up
And urinating on her face
Is not enough to say “i love you”

Refrão 2
She’s covered in vomit and human feces
That how i know that she needs me

Foda!

10.12.08

Drummond

Enviado em Uncategorized tagged , às 5:47 pm por Taiguara

Belíssimo!

Os Ombros Suportam o Mundo


Carlos Drummond de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

**

Alguns falam bem demais, não?

09.30.08

Eu apenas queria que você soubesse

Enviado em Uncategorized tagged às 2:49 am por Taiguara

sem mais.

09.19.08

Oi, meu nome é Tom!

Enviado em Uncategorized tagged , , às 4:26 am por Taiguara

Era daquele tipo de pessoa retraído e sofredor. “Alguma coisa na infância desse cara!” – pensavam alguns. Nunca dava um único passo com segurança. Da sua vida, pouco se sabia: parecia ter medo de que um segredo fosse traído.
Nunca foi visto com ninguém mas, diziam as más línguas, já fora mt apaixonado. Naquele tempo, parecia recear qualquer tipo de envolvimento. Se insistissem, ele fugia, se esquivava e só seria visto tempos depois. “Algum mal devem ter-lhe feito” – conjecturavam.
Não permitia intimidades, troca de segredos ou coisa do tipo. Evitava até mesmo se lembrar dos nomes das pessoas com quem trabalhava.

A verdade é que o pobre vivia sobre o peso de um passado fantasiado. Nunca passara por nenhuma experiência horrível, nenhum acidente marcante, morte trágica ou abandono familiar. Apenas uma ou outra dor não trabalhada que agigantara-se até virar sombra de sequoia sobre seu destino.
Até havia tido uma desilusão aos quinze, mas já tinha quase trinta aquela altura….! Impressionante como pode ser triste o presente dos que caminham voltados para o passado.

Pois bem, há dois anos nosso sofredor voltava pra casa quando, seguindo sua solitária rota pela calçada, foi atingido por uma marreta acidentalmente largada.
Duas semanas depois, acordou em uma cama de hospital. Não lembrava quem era, o que fazia, e o porque de estar ali.

A notícia de sua amnésia se espalhou e uma outra alma sofredora viu ali a sua chance de felicidade. Joana, secretária, há muito nutria uma obsessiva paixão por aquele colega misterioso e arredio. Quanto mais tentava, mais ele se distanciava e mais ela o desejava. Quando soube do acidente do amado, não pensou duas vezes: meteu-se no quarto do hospital, inventou sobre um amor que compartilhavam, sobre anos de namoro escondido e a necessidade de anunciar ao mundo a paixão.”Sofri tanto por achar que te perderia!”
Atordoado e sem saber nada sobre si mesmo, o pobre acredita em cada palavra que lhe é dita: toma a mulher nos braços e a ama mais intensamente do que ela já havia imaginado.

Estão juntos até hoje e, ao que me consta, muito felizes.

Drew Barrymore no filme Como se fosse a primeira vez

Esquecimento pode libertar, acredita o autor do texto. (Mas daqui a pouco ele esquece disso.)

09.16.08

uma metáfora

Enviado em Uncategorized tagged , às 5:09 am por Taiguara

PERDOANDO DEUS

Andando pela Avenida Copacabana, a narradora teve uma sensação inédita: sentiu-se a mãe de Deus, o qual era a própria Terra, o mundo. Teve um carinho maternal por Deus.

Foi quando ela pisou num rato morto. Encheu-se de susto e pavor como uma criança.

Então revoltou-se contra Deus. Por que num momento de tanta beleza interior ela tinha

topado exatamente com um rato? Teve vontade de negar que Deus existisse como Deus…

Mas percebeu que esse pensamento é a vingança dos fracos quando tomam consciência de sua fraqueza.

Concluiu que a sensação tão solene que tivera era falsa, estivera amando um mundo que não existe (“ no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é. E porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele.(…) Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho da minha natureza?”)

Finalmente, ficou esclarecido na mente dela que estava querendo amar a um Deus só porque ela não se aceitava. Ela estaria amando um Deus que seria seu contraste, esse Deus seria apenas um modo de ela se acusar. “Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe”.

Clarisse Linspector

09.13.08

sobre festas, poesias e dores

Enviado em Uncategorized tagged , às 1:05 am por Taiguara

Festas podem aflorar sensibilidades, trazer à tona sentimentos pouco digeridos e intensificar
aqueles que estavam à espreita de um momento para emergir. Alguns ficam tristes, alguns ficam
histéricos. Gargalhadas desesperadas e vaidades exacerbadas transitam entre corpos encolhidos, rostos tristes e angustiados. Aqui e ali, sorrisos sinceros, almas tranquilas, encontros.

Das festas podem nascer dores – ah, desejos! -, e, quem duvidará?, beleza, poesia.

Os versos abaixo são de autoria de um recém-chegado à minha vida. Alma sensível e de incrível beleza que desenha versos indiscutivelmente belos.

Lamúrias últimas
(por Rafael Zacca)

É o fim da cachaça.
Foi-se num gole só.
Como tantos outros copos
Foram-se em goles sós
Engolindo só o que queima.

O violão já conversava com o sol
Achava bonito como brilhava
E o sol agradecia o instrumento
Pelas baladas que ele tocava
Pra encantar aquele dia
Que a estrela dera de presente.

Mas o sol tava indo embora

Deu um tchauzinho
E desceu.

A cachaça deu tchauzinho
E desceu.

Algumas companhias deram tchauzinho
E eu fiquei carente.

Aquela carência que bate no peito da gente
Quando a cachaça desiste de agradar
Os peitos pesados
E Deus manda uns sinais estranhos
E parece gostar da tristeza que nos abate.

O corpo entorpecido aflora desejos
Desejos pré-existentes
Pré-conceituados
E pré-retraídos.

A cachaça quebra correntes
E de fato quebrou algumas
Dentre outras, quebrou não senhor.

Algumas palavras ecoaram no vento
Tocaram aquelas lindas canções
Com o doce violão
E, dentre lamúrias alheias,
Dentre versos e lágrimas,
Ombros deram oizinho.

Tem horas em que a tristeza é terna
A tristeza consegue ser belíssima
Talvez seja por isso que eu sinta
Tanta vontade de segurá-la comigo.

Sou viciado na tristeza.
O ministério da saúde adverte:
Tristeza causa euforia poética.

Quando a poesia acabou
Dei tchauzinho
Saí de fininho
Olhei pras coisas que não foram ditas
Pras pessoas que precisavam ouvi-las

“Outro dia eu recito
As lamúrias do amor.”

Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2008.

Um diálogo: www.sinfoniadesilencios.blogspot.com/2008/08/o-vento-fumou-meu-cigarro

08.17.08

letter to a friend in blue

Enviado em Uncategorized tagged às 3:17 am por Taiguara

Gosta de apagar cigarros no próprio corpo? E que tal cortar-se como antigamente? Enfiar agulhas, quem sabe… (não se condene: acupuntura é legal e deve ter sido inventada por um depressivo.) Sangre. Aproveite a calma que a dor física te proporciona; faça a careta que quiser, mas vá em frente. Nem pense em estancar o sangue: deixe escorrer e manchar o carpete: você gosta da dor. Essa é inteiramente provocada por você e tão diferente da que realmente te incomoda. Aproveite-a, porque ela é mais palpável e breve.

Alimente os pensamentos tristes, chore no escuro e abrace os joelhos. Não esqueça de pensar nas diferentes cartas de despedida que você escreveria, pelo amor de deus! Os bons ensinamentos mandam que você pense nos familiares e em como eles ficariam afetados pela tragédia. (sinta-se culpado) A vaidade o induzirá a crer-se o causador de forte comoção. Seguindo-a, gaste um tempo pensando em como cada uma das pessoas que você conhece reagiria a um suicídio.

Olhe seus braços: aposto que os cortes estão sendo superficiais. Faça melhor! Não é a sua primeira vez, mas vou relembrá-lo: use álcool. Desinfeta, causa dor e, anyways, sua angústia é grande, você quer matar partes de si mesmo – isso dissolverá seus problemas? – mas você não quer machucados infeccionados.

Fez tudo ou escolheu só algumas coisas?
Não interessa. Vá pra cama, abrace o travesseiro e, em posição fetal, deixe a dor crescer até o apaziguador abraço de Morpheus.

*

Caso não acorde melhor, tente fazer coisas menos patéticas e, quem sabe, tanta dor seja perfeitamente evitável.

Comece por não ser permissivo com o que te faz mal. Você é quem causa esse velho mais do mesmo, expondo-se como se não conhecesse os resultados. Você tem apreço pela alegria e sempre consegue sorrir no dia seguinte mas, por ora, tente outra coisa. Sorria se quiser, mas lembre-se da sua dor. Lembre-se do seu incômodo e de cada porrada que te deixa tonto. Olhe para essa dor com distância, respeite sua força. Reconheça os quilômetros percorridos, mas compreenda que muito lixo ainda tem que ser posto pra fora. Não se ponha a prova e não se exponha: simplesmente vá pra casa mais cedo. Isso é melhor do que se forçar a atuar.

Use a lembrança da dor com cuidado. Ressentir-se ou dar espaço a pensamentos destrutivos é algo digno de pena. Você é uma estrela e cuidar de si mesmo é o objetivo. Afaste-se do lixo que te rodeia.

Evite os fracos que te perturbam com gritos histéricos e alegrias fakes. Não importa o quão boas pessoas eles sejam. Você acredita que os compreende, mas e dae?, ó vaidoso? Sua compreensão não impede os momentos em que você quer descarregar uma arma no crânio de um deles. Enquanto você não se torna um iluminado sobrenatural não afetável por ações humanas, evite-os. Sorria, acene e siga em frente. Estar com essas pessoas sempre irá exigir que você seja o mais forte e isso cansa.

Lembre-se que embora seja muito ruim encontra-los quando triste e confuso, será igualmente ruim encontra-los alegre e desarmado: eles orbitarão ao seu redor, esperando que de você venha uma força e conforto que eles não conseguem encontrar em si mesmos. Você não é uma pilha gigante e deve impedir que seu carinho e sua vaidade – crer-se ajudando é gostoso, não é? – te transformem no Grande Ombro Auxiliador dos Sofredores Aflitos. Preserve-se.

Caso seja muito difícil, contente-se em aprender o nome das pessoas. Reconhece-las pelo nome, enquanto sorri com segurança e simpatia pode ajuda-las a pensarem em si mesmas como seres importantes e estimados. Mas preserve-se.

Você crê em toda a estima que dizem sentir por você? Dá algum valor ao afeto despertado por atos produzidos enquanto você envergava máscaras dionisíacas? Gostam de você e estão tão longe de realmente conhecer você. Creio nesse afeto e, por esse afeto, eu os evitaria. Vá para a casa mais cedo ou acabe odiando-os. Enquanto o que for fraco neles fizer ressoar o que é fraco em você, fique mais tempo na bolha.

Sentirão sua falta; vão reclamar e te agredir, o que será bom: você ainda é muito suscetível à demonstrações de afeto e se te chatearem você se manda com mais facilidade. Não será sempre fácil, entretanto. Há os momentos em que você está relaxado e tranqüilo. Nesses momentos, sua angústia e cansaço serão apenas lembranças, mas eu peço que você lembre da dor. Não a use como desculpa para se prostrar! Apenas lembre-se e tome cuidado. Você reconhece os momentos e as pessoas a serem evitadas. Seja forte e desvie. Não há mais motivos para curiosidade, é sempre o mesmo. Vá logo para casa!

Habite sua solidão e torne-se fortaleza. Sem gargalhadas, problemas, vaidade ou ciúmes, você poderá gozar de silêncio e serenidade. Sorria. Você pode domar o que de selvagem e irracional ainda te fere. Faça isso algumas vezes e, então, depois desse tempo, freqüente a festa que quiser, beba com quem quiser, relacione-se com quem quiser! (Você terá se tornado mais cuidadoso, inevitavelmente). Alguns podem perceber algo de diferente. Podem mesmo ter um vislumbre – o sorriso seguro, o olhar sincero e afetuoso… –, da força que você adquiriu.

Um último conselho talvez torne mais fácil o caminho. Ei-lo: você não precisa estar, nunca, inteiramente sozinho. Em alguns momentos você pode desesperar e é bem provável que não existam pares no mesmo degrau que você. O seu caminho é só seu e seus desejos é que devem movê-lo. Mas, sempre, SEMPRE, é possível achar conforto no amor sincero e na simplicidade de uma boa amizade. Eles não precisam compreender tudo o que se passa com você – e o mesmo vale pra ti – , basta a cumplicidade e o respeito.

Amizade, bem entendida, não é disputa ou ciúmes, exploração ou busca de vantagens. Amizade é simplicidade, cafuné, abraço e filminho.


Acima disso tudo, amizade é afeto, cuidado e respeito.

07.29.08

diálogos sobre o Closer (filme dissecado = spoillers)

Enviado em Uncategorized tagged , , às 5:48 am por Taiguara

Coincidência engraçada: tive uma entusiasmante conversa sobre o filme Closer com um amigo pelo msn. Ele fez vários comentários e, tendo discordado de alguns, fiquei com vontade de rever o filme. Pouco dps, ao desligar o computador e ir pra sala, encontro meu irmão e a namorada começando a assistir ao dvd do filme.

O post abaixo é um diálogo com esse http://umcorte.blogspot.com/2008/07/closer-perto-demais.html

*

Rever esse filme me fez ter certeza que minha paixão por certos atores pode embaçar minha capacidade de analisar as tramas e olhar para outras personagens. Closer traz o mesmo Jude Law que já vi em vários outros papéis. Lindo, carismático, com um sotaque charmoso… basicamente o mesmo. Poderia ser o Gigolô Joel de A.I., o assassino frio de Estrada para a perdição ou o conquistador Alfie, mas, convenhamos, eu n enjoaria dele nem que ele se repetisse em mais 30 papéis.

Contracenando diretamente com ele está uma Natalie Portman pra lá de gostosa, com um rostinho de dar água na boca e, claro, um diretor que soube explorar essa beleza. Se isso fosse uma coluna gay, acho que escreveria o adjetivo “deslumbrante” para definir algumas cenas da sua personagem. É com o seu caminhar deslumbrante que a trama se inicia e é encerrada. Mesmo caminhar, mesma música (um parenteses para agradecer ao bom tempo em que não escuto a odiosa versão que o Seu Jorge/Ana Carolina fizeram de The blowers daughter, a música em questão) e uma metáfora para ciclos, retornos e repetições, que só poderia estar mais clara se colocassem uma legenda do tipo “assim como era no princípio, agora e sempre, Amém.”

Esses dois atores me cativam e os papéis que interpretam são diretamente afetados por isso. Por outro lado, demorei a dar atenção ao personagem interpretado por Clive Owen – o Dr. Larry –, por nunca ter gostado muito do ator. Há tempos coloquei no orkut uma das cenas protagonizadas por ele e que era minha cena favorita antes mesmo que eu a protagonizasse na vida real. Ainda assim, apenas hoje eu notei o quanto a sua personagem me cativa.

A trama de Closer se constrói explorando os medos e covardias, inseguranças e mentiras de quatro personagens que se cruzam. Meu amigo Apostador acredita que Alice, personagem de Natalie Portman é a única a dizer a verdade nessa trama. Eu, por outro lado, creio que só há uma personagem realmente forte e sincera e é o Dr. Larry. Através dele – constante observador da natureza humana –, tds os outros personagens são desnudados. Ele é o mais maduro, o que melhor administra seu desejo e é o único a ser verdadeiro em todos os momentos do filme.

Uma primeira visão sobre a trama pode dar a impressão de que sua personagem é machista, um tanto inocente, e mesmo cômica (sua primeira cena o é). Um contraponto com a personagem de Natalie Portman, impetuosa, decidida e forte. Mas revendo o filme, n me restam dúvidas de que Larry é a personagem mais equilibrada e forte daquele universo.

Apostador defende que Alice é a mais sincera, mas ela se esconde atrás de uma personagem durante quase toda a trama. Seu verdadeiro nome é Jane, mas é como Alice que ela viverá um relacionamento de quatro anos com Dan (Jude Law). É um ideal de personagem que reflete certa filosofia do “quanto mais ferido, mais paredes eu levanto”, e esse, definitivamente, é um pensamento que me incomoda. Uma exaltação de Alice como uma personagem forte e verdadeira, me soa como uma concordância com esse tipo de medo-cuidado que leva as pessoas a ficarem cada vez mais escondidas em seus castelos ou presas em seus quadrados, para repetir uma metáfora da qual gosto.

O filme não deixa dúvidas quanto ao amor dela pelo personagem do Jude Law: sua entrega é intensa e o amor, verdadeiro. Contudo, não há verdade ou esforço na relação entre os dois. O que ela pensa, pensa sozinha; o que ela sente, é dito em poucos momentos. Ela inicia essa relação com medo, usando uma máscara que permanece até o fim. Ouve seu namorado encantado pela fotógrafa Ana (Júlia Roberts – fraca, pra variar), mostra sua dor para a outra, mas não a expõe para Dan. Em um dos poucos momentos de sinceridade diz que “está esperando por ele (Dan): por ele abandona-la.” Imagina que será abandonada pq sabe do encanto de seu amado por outra mulher, no entanto, não fala a respeito. O que Dan recebe dela é a construção que ela faz do relacionamento, omitindo verdades e apresentando demandas que ele não satisfaz. “Ela não precisa de mim” é a explicação que ele lhe dá qnd ela pergunta o pq de estar sendo trocada.

Dan é um homem fraco, egoísta e vaidoso. Permanece com Alicia por covardia e vaidade, pois é apaixonado por Ana . Não supre as necessidades daquela e nem luta verdadeiramente pela outra: dps que termina com Ana por ter sido traído, se arrepende, busca o rival e acaba por seguir o conselho dele e retomar o amor de Alice. Em tds esses momentos parece uma criança mimada que não sabe ao certo o que fazer.

Quando volta para Alice sabe sobre a transa dela e de Laury, mas não fala sobre isso. Ao invés, finge desconhecer a verdade e a pressiona para que ela conte a verdadeira história. Alguns podem afirmar que era direito dele querer ouvir a verdade, assim como o Dr. Laury quis ouvir as mais íntimas confissões da fotógrafa. Outros podem dizer que Alice não seria perdoada e que por medo, era compreensível que mentisse. Podem dizer ainda, que testa-la daquela forma era pura vaidade nenhum amor. Essas questões, pra mim, são secundárias: o que essa trama revela é um quadro de egoísmo e medo no qual não é possível se travar relação alguma. Cada um pensa e define os porquês do outro sem se conhecerem de fato. Alice, antes de confessar anuncia que falará a verdade e que ele, então, poderá odia-la e deixa-la pra sempre. É desconcertante para ela qnd ele diz que já sabia e que a perdoa. Ela, por sua vez, o abandona em seguida, dizendo que já não o ama.

Se Dan é o egoísta que, como disse Larry, n entende que amor é comprometimento – e isso é o mais importante a se saber –, Alice não fica muito distante. Entrega-se de uma forma infantil, pois ela também é a criança da história, e vaidosa. Terminar com Dan permite que suas verdades sejam reafirmadas e o jogo continue, pois ela não pode correr o risco de ser abandonada. Ela dá as cartas, ela abandona, como disse ao namorado. E o problema será sempre o outro.

Falando brevemente sobre a Júlia Roberts: sua personagem é a mais anêmica e sem graça da trama, casando perfeitamente com sua capacidade artística. Ana é uma mulher deprimida e que, como é comum, cultiva sua infelicidade. Não tem um desejo realmente forte e é facilmente levada pela correnteza. Td bem que era uma correnteza Jude Law e uma correnteza Clive Owen, mas…

Retomando meu ponto: Dr. Larry é o personagem que se destaca dos demais. Ele sabe ler as outras personagens e, por isso, é o que se saí melhor. Reconhece a máscara empunhada por Alice, o medo de ser feliz de Ana, as fraquezas de Dan.

Mas, sobretudo, e o que mais me cativa nessa personagem, ainda q ogrinhos não me encantem, é ter um desejo realmente forte. Obsecado é como ele se define, em determinada cena. Eu o defino como o forte.

Enquanto os outros personagens são lançados uns aos outros, uns contra os outros, ele não se permite ficar à deriva; não constrói mentiras pra si mesmo ou para os outros. Conhecer o que se quer e permitir que seu desejo cresça a ponto de se tornar força motriz de suas ações pode originar uma obsessão, mas pode, também, funcionar como âncora frente à inconstância e medos alheios. Frente a um desejo realmente forte, só outros fortes não se curvam.

No fim da trama, só o Dr. Larry dorme.

uma das minha cenas preferidas.